Ciclo
da vida
Por:
Marco Pezão
Quando o espermatozóide esperto
chegou à frente de milhares de concorrentes e
o óvulo fecundou, transformando o prazer da união
em milagre...
Pequenina célula onde passa a bater um coração.
A gestação até o sublime momento
do parto. Partida para o mundo. O som, o medo e o choro.
E desde o tapinha no traseiro querendo dizer: “Ei!
Você chegou! Seja bem-vindo ao nosso lar!”.
Desfrutei do acalanto dos teus afagos... Bebi de teu
leite. Adormeci ao teu lado. Quando acordado atingia-me
com doce olhar. As palavras embalaram sonhos. E neles,
o pai que reconheci pouco depois. Senti que a aventura
começara, finalmente.
Gatinhar, soletrar, caindo para ficar em pé.
E perguntei tomando conhecimento sobre as pedras, as
flores, plantas, os carros... As informações
abrindo a mente, formando o espírito do entendimento.
Os dias atravessaram noites em forma de outros dias.
A escola, as dificuldades... Percebi-me distante. Sou
mais um entre tantos. O cordão umbilical rompera-se
definitivamente...
“Toma ciência de teu caminho, meu filho”,
diziam aquelas vozes pares preocupadas em trabalhar
e cuidar da família.
Procurei seguir o exemplo paterno. De seu paletó
fiz meu terno. Mão de obra me tornei em Deus,
buscando ser boa atitude.
Estranha paixão veio ao encontro de outra, minha,
prestes a explodir. Rimos e nos deixamos seguir adiante
desejosos em amar.
A lua tornou-se crescente. As estações
do ano passaram ao largo. A expectativa envolta em tua
barriga. Rompe-se a bolsa. Estou grato...
Vejo-me renascer!
Os cabelos que ora afago em tua cabeça, também
já embranquece minha fronte. A idade inerente
da vontade se acumula ao tempo... Em viva presença
celebremos nossos semelhantes:
A mulher e o homem. Mãe, pai, filhos, avós,
netos...
Brindemos ao idoso!
Não somente pelas lembranças ou experiências
que eles representam.
Mas, principalmente, por respeito ao imperioso ciclo
da vida.
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