Dançando
com a Miss
Pelas
estradas, o caminhoneiro leva o progresso. Nas rodas
de um caminhão, o retorno é um porto de
nome saudade. E, durante bom tempo, o personagem desta
pequena história trafegou pelas principais rotas
de São Paulo e do Brasil.
Um dia, decidiu mudar de veículo e passou a ser
taxista. Seu ponto é na Freguesia do Ó.
Mesmo bairro onde mora, ao lado da amada, e, que, em
49 anos de casados, constituíram família
com três filhos; presenciando a chegada de cinco
netos.
O nosso herói tinha por hábito jogar futebol
na várzea. E, há alguns anos atrás,
a esposa, embora consentisse, o chamou para conversar;
fazendo-o ver que o esporte é bom, mas, no caso,
ela ficava sozinha em casa, enquanto ele se divertia
com os amigos.
Ela, de heróica sabedoria, propôs irem
juntos ao salão do Centro Comunitário
Alto de Pinheiros – BNH – passar um domingo
diferente, dançando. A magia da música,
o baile, os passos ritmados; ali, entre eles, resplandeceu
uma nova fase, um novo viver.
O prazer de dançar floresceu rapidamente. E passaram
a freqüentar o Baile da Saudade, do União
Fraterna, além de muitos outros locais.
Mas o brilho maior estava por vir. Quando a mente é
sã, o corpo se revela. Ela participou do concurso
de beleza da Melhor Idade, com mais de 60 anos, no Centro
Cultural da Freguesia do Ó, e venceu. A rainha,
então, conquistou o título mais três
vezes. E, ainda, foi eleita Miss Paulistana, em 2003,
e no concurso estadual ficou em 2º lugar, sendo
coroada Miss Simpatia.
O feito voltou a se repetir neste ano, quando novamente
é Miss Paulistana 2005, no concurso realizado
no Circulo Militar de São Paulo, entre 54 candidatas
de vários bairros. Ela vai concorrer a Miss São
Paulo, envolvendo todo o estado, no dia 27/07, no Memorial
da América Latina.
E ele? Também não ficou para trás.
Ele é o Mister Simpatia de 2004, ficou em 2º
lugar. E Mister Elegância de 2005, conquistando
a 3ª colocação.
Agora vamos apresentar nossos heróis: Denise
Montoro e Hermes Montoro, 67 e 74 anos, respectivamente.
A Rainha e o Príncipe, que reencontraram nos
bailes novo estímulo. Eles saem das pistas de
dança para brilhar na passarela da vida, confirmando
que quem sabe e quer ser feliz, não tem idade.
Os
aspectos positivos da dança de salão para
a 3ª idade
É
sabido, hoje, que a perspectiva de vida dos brasileiros
aumentou. Graças às vacinas, alimentação,
higiene e outros benefícios. Mas atingir a chamada
“Melhor Idade” e desfrutá-la com
prazer é algo que nem sempre a maioria consegue.
Os preconceitos existem e estão aí para
atrapalhar. Mostrar na ação que é
possível se manter lúcido, produtivo,
é uma tarefa. Então, aos praticantes,
a dança de salão age como resposta, libertando-os
da opressão existente.
Dançar é uma forma de abandonar o isolamento.
De dar costas às ondas depressivas que o mundo
real exala.
Dançar estimula a criatividade, auto-estima e
confiança.
Dançar instiga as pessoas a se vestirem melhor,
a se perfumarem, a cuidarem da aparência.
Dançar é uma forma de criar novas amizades
e afastar a solidão. Em descobrir interesses
apaziguados pelo tempo e rotina.
Dançar é trabalhar o corpo e a mente,
de maneira prazerosa e saudável.
Dançar é uma terapia. Fonte energética.
Atividade que, realizada regularmente, melhora a capacidade
cardiorespiratória. Ativa a circulação
sanguínea e previne a osteoporose.
Dançar queima calorias e ajuda na manutenção
do peso ideal.
Nunca é tarde para entrar no salão. Seja
qual for o ritmo. Valsa, bolero, tango, swing ou samba-canção...
As mãos dadas, o rosto colado, dois pra lá-dois
pra cá... A melodia. A energia do contato físico.
O carinho e sorriso, olhares pares, sentir-se presente.
A música que envolve e agita a imaginação.
Dançar e dançar. Bailar. A terceira e
Melhor Idade merece e precisa sonhar e ser feliz.
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