A
dança faz parte da História da Humanidade desde os
seus primórdios, sendo uma forma de expressão e comunicação
do Homem com a Natureza, esta Arte se fez presente em muitos rituais
místicos e sagrados tendo a importância de religar
o homem a seus sentimentos, pensamento e alma. A dança, tem
sua forma de expressão ilimitada, podendo retratar desde
valores individuais a valores históricos – políticos
e sociais.
Em decorrência de uma visão de mundo racionalista e
tecnológica o foco do desenvolvimento humano tende muitas
vezes a se concentrar na linguagem e no pensamento, e o corpo fica
mantido como parte dissociada desses elementos. De fato a linguagem
e o pensamento são estruturas de grande complexidade e importância,
no entanto a expressão corporal merece atenção
dirigida. Muito antes da linguagem se fazer presente na vida da
criança (fase inicial do desenvolvimento humano) e ser compreendida
pelos que a rodeiam, o corpo é o instrumento dessa comunicação.
Nos primeiros meses de vida tanto psíquica quanto fisicamente
a relação do bebê com a mãe se dá
como se eles fossem um só Ser, vivenciando uma simbiose que
aos poucos vai deixando de existir com a conscientização
corporal e psíquica da criança. No decorrer desse
processo a criança vai se descobrindo e após a aquisição
do controle dos primeiros movimentos vai percebendo que além
de estar aprendendo a se comunicar verbalmente com as pessoas e
expressar seu pensamento por meio de palavras, também pode
fazer uso de habilidades motoras mais complexas possibilitando uma
gama maior de movimentos e de situações vivenciadas.
Além disso, é importante que a criança aprenda
a lidar adequadamente com suas emoções e uma vez que
cada emoção possui um correspondente físico
ela pode aprender a expressa-la através do corpo, e esta
forma de expressão pode ser vivenciada não somente
pela criança como também por adolescente e adultos.
Portanto o desenvolvimento humano deve ser visto como um diamante
com suas diversas facetas, que deve ser lapidado.
Sabemos que a capacidade cognitiva do indivíduo deve ser
observada não apenas por sua inteligência lógico
dedutível, mas também por inúmeros outros aspectos,
como por exemplo; sua forma de elaborar e solucionar problemas,
sua capacidade de comunicar-se, de construir coisas, de manter uma
convivência social saudável, etc.
Estudos recentes conduziram à Teoria das Inteligências
Múltiplas de Howard Gardner que propõe a existência
de oito tipos de inteligências, são elas: a lingüística,
lógico-matemática (a mais tradicional), a espacial,
a cinestésica-corporal, musical, inter-pessoal, intrapessoal
e naturalista. Esta teoria nos leva a valorizar o potencial de cada
Ser, sem querer padronizá-los, buscando estimulara o potencial
criativo que existe em cada um de nós.
A dança, então, entra em cena como uma forma de mediação
entre estímulos e respostas. Por meio da dança o individuo
é estimulado a conhecer seu próprio corpo, suas potencialidades
sensoriais, sensitivas, perceptivas, motoras, criativas e comunicativas,
e, como esta inserido num grupo entra em contato com suas próprias
potencialidades corporais e as do ouro, com suas próprias
limitações e as do outro.
É nesta dança que será incorporado conteúdos
para contribuir com o desenvolvimento psíquico físico
e social do indivíduo.
Dra.
Lucimara Cassemiro – Psicóloga Clínica e Profa.
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